A arte do reencontro...e das pernas que redemoinham sob mesas...
Os dias estão assim: repletos do suspiro da 'arte do encontro'. Em alguns dias mais, em alguns dias bem menos. Mas sempre há espaço para o encontro carnal, sensível e porque não, de todo palpável. Apesar de que...quem me conhece sabe muito a dificuldade que tenho de lidar com esta história de tato. Boa história de filme. Mirar el mundo é mais fácil para mim, do que tateá-lo.
Estes dias que são filmes. Coloquei meu repertório cinematográfico quase em dia. E ressalto que são as histórias mais simples, singelas e que tratam desses encontros 'palpáveis' e sinceros que me fizeram sair do cinema chorando...Mas, no fim das contas foi numa dessas últimas noites que no Tele cine Cult me reencontro com 'Eterno Brilho de uma mente sem lembrança'...Pronto. Um prato cheio para divagação de madrugada. Óbvio que já vi o filme umas 3 vezes, mas sabe que eu acho que pensei algumas vezes em escolher que este filme fosse de verdade. Mas, se fosse possível apagar alguém, algo, uma situação, um momento da vida de nossa memória, como seriam os reencontros?
Hoje tive uma grata surpresa em Porto Alegre, dessas que salvam o dia, os dias...e dão sentido para nossas boas e intensas histórias (essas histórias em que às vezes brincamos demais com a vida, com as nossas vidas). Me ligaram às 11h45min, estava em reunião. quando vi a chamada não tive dúvida que aquele número não me era estranho. Engraçado continuava o mesmo, o número, o tremor nas pernas, a voz perdida...Fazia tempo que não o via...volta e meia arriscava procurar alguma referência nas redes sociais. Afinal, sou assim mesmo, gosto de me desapegar um bom tanto do passado. Tem gente que fica a redemoinhar as coisas que viveu e que não viveu...Eu até lembro... é fato, me lamento um pouco sim pelo que deixei de viver, mas o que vivi já foi tão carnal, que é bobagem qualquer forma de martírio.
Talvez nunca tenha descido tão rápido até o mercado público de Porto Alegre. Tínhamos não mais que meia hora para colocar em dia saudades de quase 'anos'. Os olhos continuavam verdes e úmidos, prenúncios de uma crônica. Mais cabelos brancos pelos lados...O sorriso - meio sorriso - o mesmo tom de humor (de fato o que mais gostava). E como sempre aquele câmera no pescoço....ainda lembro do primeiro dia que o vi, foi numa bicicleta que ele apareceu, fez uma das fotos mais lindas em contra-luz que tenho. Tempos idos de capoeira...Óh doce, leve Santa Maria....Que saudades tinha de ficar assim: a nervosar-me no almoço, a redemoinhar pernas trêmulas embaixo da mesa, a destocar os cabelos com mãos que vão e vem...e fiquei por aí a reencontrar-me em meia hora, aliás, sem grandes tatos nunca tivemos muito o dom de saber como nos tocar, a não ser entre aquelas quatro paredes em momento que é inevitável o toque.
ok, ok...já é tarde da noite e tudo isso pode ser apenas parte de um sonho que estou tentando apagar. Mas e se o almoço de hoje aconteceu de verdade? Possivelmente o tenha escondido em alguma parte da minha memória e dos meus sentidos que a 'máquina da vida' foi incapaz de apagar, aliás, de o tocar...
Gosto disso, do gosto doce amargo desses reencontros. Mas já é hora de irmos? Sim, tempo para um sanduíche natural e uma coca-cola (ele, óbvio) um suco natural de laranja (eu, óbvio)...No fim das contas, tudo continua quase igual!!!!
2 comentários:
Senti como se estivesse lendo um roteiro de um filme. Foi quase isso, não foi? rsrsrs :)
Apaixonante a forma que vc escreve, adorei seu blog! Segui-lo-ei! haa Beijoss
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