Monday, November 28, 2011

Perdoa-me pelas contradições...

a escola era de madeira. Sala única: de primeira a quarta série. Fui-me indo pela estrada de chão, a arrastar os chinelos novos que ganhei da minha mãe...(as árvores da estrada, cheiravam a estas que rodeiam minha janela). Emburrada...sabia que queria ir à escola, mas prefiria, também, ficar por casa, nos arredores com meus primos. Éramos em oito primos do tamanho da turma da nova escola. No começo da tarde - horário das aulas dos menores - prof. Margarete dividia a atenção com todos da classe. Dom que sempre admirei, a ponto de querer ser profe também (vastos sonhos ideológicos das crianças - continuam a ser).

foi no primeiro dia que ela me olhou, no segundo também, talvez no terceiro, não tenho muita certeza do que lhe disse, lembro-me, apenas: chorei. Chorar nunca foi meu problema, aliás, em um pequeno tempo da minha vida foi a possível 'EXPLICAÇÃO' da minha timidez. É, parece irônico mas sou tímida a ponto de regogitar-me toda ao olhar pela fresta da janela. Aos desajustados golpes da vida (nem tão violentos quanto faço parecer) longe da estrada de chão do interior em que vivia: a vida aqui fora é menos calada e exige mais da gente. Exige menos lágrimas e refúgios em livros e mais destreza para olhar para fora da janela com o rosto solto ao vento...

mas, eu ainda prefiro ao silêncio das mãos úmidas e nervosas no começo da tarde. Chorar, como de antes com a professora já não deveria ser mais explicação para nada. Mas, perdoa-me aos sensatos do mundo do asfalto: eu não sei falar, escrevo entre linhas e nas linhas...de resto, na maioria das vezes, fica preso na garganta e então como que emergindo de um submerso de sonhos, elas: as lágrimas flutuam no meu intemperado desenho da face. E o desejo abrupto, intempestivo e sim, por vezes irresponsável, de deixar-me sexo a umidecer-me de querer-te mundo às voltas de estradas sinuosas e calejadas.

hoje, pedi perdão...Não sei se deveria, se completa caminhos abandonados em outros tempos. Pedi perdão por ser como sou, e sou assim, como diria Manoel de Barros '(...) o que não sei fazer desconto nas palavras'...e desconto, por isso escrevo miúdo, grande, evasivo, encarnado, por que sou como sou, e preciso escrever...chorar...falar pouco...para ser...os silêncios dos sulcos de minhas mãos/ das tuas mãos explicam-se em versos, em nada mais, por que o nada mais é olhar pela fresta da janela (sem exagero) deixar o olhar invadir-se pela luz devagar, de repente...e ponto, fechar-se nos dessassossegos que adentram madrugadas e suas doces loucuras...

nesse palavreado todo encontro-me com o livro de Cyro Martins (os de cabeceira, que aliás, ainda não devolvi a um velho amigo - perdoa-me também, às voltas de Santa Maria nos próximos dias...) 'O Princípe da Vila', que beira um romance, mas se traduz num causo da inércia e da loucura. Por que há uma obsessiva linha limítrife entre a inércia existencial/a dos sentimentos e a passível loucura de princípe que constrói mais pela fantasia do que pelos fatos da vida...

Finalizo, ainda em Manuel de Barros: 'Ai frases de pensar! Pensar é uma pedreira. Estou sendo. Me acho em petição de lata. Concluindo: há pessoas que se compõem de atos, ruídos, retratos. Outras de palavras. Poetas e tontos se compõem com palavras'


Obs: 'Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada' - Manoel de Barros (QUERIA TANTO PRODUZIR UMA SIMPLES FOTOS QUE TRADUZA ISSO...(uma breve obsessão))

'O Princípe da Vila' - Cyro Martins (meu primeiro roteiro de ficção adaptado - trabalhando arduamente... madrugada à dentro - entre as novidades de 2012)


02:25 da madrugada insone...Roteirizar é preciso, viver nem tanto assim!!

1 comentários:

easy learn computer said...

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