Saturday, October 22, 2011

RELATOS DE VIAGEM 2. LOGO DEPOIS DA FRONTEIRA....Cada persona es un mundo!!!



Sei que é uma frase feita, mas gosto dela: 'impossível conhecer o sentimento do mundo, sem conhecer o sentimento das suas 'gentes''. CRuzei a fronteira na primeira balsa às 8 horas da manhã. Na balsa sobre o Rio Uruguay e conversando com um pessoal que ia para Foz do Iguaçu, descobri o por que de suas águas estarem embarradas em partes, era o Rio Paraná que resistia em se misturar de imediato, deslizada imponente de encontro ao uruguay. Coisa linda de se ver. Como em todas minhas idas às terras da Argentina por esta região o dia amanhecia nublado. As fotos com os mesmos tons de griz, mesmo assim com uma beleza que emociona-me. Atravessar a balsa como um andarilho é estranho, quando todas as pessoas estão de carro, mas tem lá sua emoção...Aguça um pouco mais o espiríto aventureiro e 'auto-suficiente'. Ne verdade, não mais que mera bobagem.



A escolha é: ou pego uma carona até Oberá ou sigo de ônibus. Na maioria das vezes a segunda parte é mais interessante, por que é na parada do ônibus em frente a um boteco de fronteira, dentro do ônibus e nos terminais rodoviários que se conhecem os sentimentos das 'gentes'. Comecei cedo, tomando um mate no boteco da fronteira, com o dono do estabelecimento, um homem de pouco mais de 40 anos. Foi ele que me lembrou que no domingo no Brasil trocaria o horário... me salvou...foi ele também que me falou sobre os planos sociais da presidenta de seu país Cristina Kirchner...e se preocupava. Diz estar sendo difícil encontrar gente para trabalhar quando todo mundo de alguma forma está sendo assistido pelo governo. E não tinha como ter dúvida que Cristina venceria as eleições do dia 23 (amanhã, por sinal). Segui viagem pelo interior de Misiones, a cada parada novas 'gentes' deste lugar, gente muito humilde, que embarca em frente a suas modestas casas pelo interior. Aliás, casas bem modestas, confesso que mesmo viajando muito por ali, nunca tinha me dado conta da pobreza que existia por aquela região...fiquei um pouco impressionada, talvez por minha veia política estava latejante demais. No ônibus conversei com mais argentinos, todos muito cientes de sua política, dos planos, das realidade distantes que ainda denotam grandes desigualdades sociais. Ok, para nosso país isso também não é novidade...





E assim me fui até Oberá a contemplar e hablar con el pueblo de Misiones, me encanta seu territótio e a proximidade com boa parte da nossa região de fronteira. Somos co-irmãos de fato...Chegando em Oberá almoço com o pai de um amigo. Um médido intelectual, que segundo o filho tem o problema do monólogo. Naquela uma hora de almoço aprendi muito das políticas de Kirchner, de uma boa literatura que poderia se transformar num filme (aliás Axel Monsu manda-me o livro). Aprendi que abacate na Argentina é comida como salada e junto com o tomate é uma ótima receita. estava acostumada com postre somente, abacate doce. Pero, bueno, después o médico me dá uma carona até o terminar de onde parto para a cidade de Posadas. No caminho me mostra umas regiões bem pobres de Oberá também, o que destoa bastante do centro da cidade. Ele também se preocupa com os cofres públicos, como Kircher vai manter tantos planos.



me despeço de Oberá e sigo para Posadas, estava louca para chegar a sua costanera, do outro lado Encarnación no Paraguay. No terminal Matias Barrientos me esperava...por ali parecia que estava chegando no Paraguay de fato. Pegamos um ônibus e nos fomos ao centro, ficaria na casa de seu hermano...Mal sabia eu que por ali a família toda é Kirchiniana convicta. A mãe de Matias que trabalhou a vida toda em casa, agora conseguiu se aposentar por conta das políticas feitas por Cristina, a parte disso, reconheciam ele todos os seus projetos sociais e culturais feitos pela presidenta, aliás, começados pelo presidente Kirchner. A Argentina, segundo eles, viviam novos tempos. Bons novos tempos!! E não é difícil de se reconhecer, que o processo de democratização da comunicação principalmente é exemplar, ou ao menos, caminha a passos largos para um bom ideal...



Foi em Posadas que descobri o projeto já implantado em todo país "Inclusão digital para todos', nas praças públicas os niños com seus netbooks, podem acessar o mundo virtual a vontade. Sim, por que a internet é de graça e a disposição de todos na praça. Na Tv conheci o projeto 'futbol para todos', futebol de todos os recantos do seu imenso país tem o mesmo direito de estar em todas as telinhas. No começo imagino que tenha sido incrível, depois para algumas mulheres com certeza, insuportável...para mim, foi lindo descobrir tudo isso...Assim, como descobrir que pedir batatas na Argentina, é levar batatas doces, não papas...(gafe no país co-irmão). No fim, já estava brincando, afinal, aqui na Argentina 'tudo é para todos', ou então, 'todos é para todos', rsrs...brincadeiras a parte seguimos esta viagem...



Mas todas essas descobertas ainda não são suficientes. Lembro-me desde o primeiro dia que cheguei na Argentina quando descobri os meandros de uma das ditaduras, creio que a mais, cruel ditadura da América Latina. Mais de 300 mil mortos, só podia ser resultado do espírito politizado dessa gente. Aliás, isso é o que mais me admira neste povo, desde a fronteira, certamente até Buenos Aires, devem ser poucos os argentinos que não sejam politizados a ponto de conhecer a realidade do seu país...Eita Pueblo...Mas, a ditadura sempre mexe demais comigo, muito mais com as pessoas que encontrei que de uma forma ou de outra sofreram com esta época, com os reflexos dos atos criminosos da ditadura, que tiveram casas invadidadas, que viram armas, que tem algum parente desaparecido. Mas, hoje, a Argentina, certamente é um dos países que melhor consegue falar, punir e rever sua história diante à ditadura militar. A impunidade não tem vez por aqui....por isso segue abaixo um dos vídeos que fazem parte da campanha da presidente Cristina Kirchner, que amanhã será (felizmente) reeleita pelo povo argentino:







Amanhã sigo contando mais sobre essa história toda, hoje admito já me emocionei demais denovo, ao rever este vídeo que mostra a fuerza de Victoria. Seus pais foram mortos durante a ditadura (como muitos), ela foi então roubada pela família responsável pela morte dos pais, criada a vida toda com uma identidade que não correspondia a sua verdadeira. Quando descobriu toda sua história, pois a avó de sangue passou a vida toda a procurando, ela não tem mais a chance de abraçar a avó que já morreu, e viu seus pais de criação sendo presos por tantos crimes cometidos na ditadura, especialmente com sua vida, quando lhe tira a oportunidade de saber sua verdadeira identidade...Para mim, muito forte tudo isso, me emocionado a cada vez que vou à Argentina e encontro um novo compa que me conta um pouco de tudo que viveu, conhece e sentiu dessa época....Por isso, para entender o sentimento do mundo, tem que se entender o sentimento das 'gentes'....Gracias a la vida por estos caminos que me llevan a indignar-me con la historia de la nuestra America Latina!! Gracias a la vida por la oportunidad de andar por estos caminos, por encontrar con estas personas, por compartir destos sentimentos que nos move...



Hermanos argentinos manana lista 131, que yo apoyo siempre!!

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