Saturday, June 18, 2011

Os momentos de exaustão e sua poesia!!




Admito que já tinha esquecido da sensação de cair na cama bêbada com uma garrafa de vinho. Tomada de gole em gole no meio de uma noite sozinha ouvindo 'Nouvelle Vague', depois de passar horas conversando com amigos de vários cantos do mundo. Alguns deles feitos pelo contato pele a pele, outros que já os amo só pelo contato virtual. Mas é muito bom perceber que é possível se conhecer alguém até mesmo só pelas suas referêrcias. Vontade louca depois de bêbada de viajar por Portugal, São Paulo, Brasília, Argentina, Equador e dar um abraço em cada um. Um abraço embriagado pela liberdade de se estar sozinho em um canto do mundo. Me jogar nos braços das saudades araigadas em noites de inverno.

No meu novo quarto tem 3 quadros com girassóis: em um deles uma lavoura de girassol, casas ao fundo e uma estrada de chão. No segundo quadro dois pés de girassol um voltado para cada lado, do lado deste o terceiro quadro com girassóis em primeiro plano, e em tons mais escuros. Não seria mera coincidência quanto menos apenas efeito do vinho. Tudo bem que ainda não estou conversando com os girassóis, mas sinto vontade de cheirá-los, buscando vida nas suas cores. Gosto do seu amarelo e verde. Já me sinto em casa por aqui, e meu processo de adaptação não é nada complicado. Basta uma cama, uma televisão, alguns livros, quadros com referências, uma geladeira para meus legumes e iogurtes, um espaço para minhas frutas e copos para abrir meu vinho. E minhas músicas. Sou feliz e consigo recuperar minha racionalidade em instantes, apesar dos longos questionamentos subjetivos sobre o mundo. Mas uma boa dose de devaneios sempre são bem vindos nestes momentos de vinho, poesia e exaustão.

Há muito tempo não chegava a exaustão, creo que tive dois ou três momentos assim na minha vida, que chorei por sentir meu corpo trêmulo, extasiado, em outro plano. Exaustão é um misto de prazer e de dor inexplicável, e gastaria palavras se tentasse traduzir: beira a loucura das poesias sem rima e das metáforas sem mar. Beira a solidão dos desiludidos e a leveza das viagens em alta estrada. Estive exausta a ponto de chorar, por que meu corpo estava trêmulo, minhas pálpebras não fechavam mais, mesmo que estive em uma cama quente e com muito sono. Mas a exaustão alerta todos os teus sentidos, te faz vibrar em outro estado de espírito, carne e alma. Estava exausta e não tinha um canto no mundo com girassóis...depois de 3 meses com minha vida em uma mala (aliás em três malas) ontem resolvi escolher um canto para mim. nele encontrei girassóis, e duas grandes janelas, que não se voltam para o mar, mas para um muro em branco e nele já ando a construir castelos, a ver sapos e dedilhar as músicas mais aleatória e intensas.

Sinto-me mais uma vez na estável sensação de ter para onde voltar e isso sgnifica que já posso ir, que já posso ser Fran novamente...Lembrei-me, então nestes dias imersa nas gravações do filme SIMONE das minhas noções de mundo antes dos 12 anos, quando meu mundo era apenas envolto pela perspectiva de moros, mato, verde e poucas gentes e uma vez a cada dois meses a sensação de balançar num balanço na praça da cidade vizinha. Pensava que o mundo ia para o sul da minha casas e subia o moro perto de uma mata virgem, onde de cima de uma pedra conseguia visualizar horizontes. Nestes momentos de exaustão, de pés longe do chão e instáveis momentos de desconforto me sinto a levitar acima deste moro procurando os horizontes e os nortes do mundo. De repente, tão de repente e abruptadamente tenho uma cama, um vinho, vontade de dançar e dizer-te (ao mundo) amo-te sem pesar...sem querer nada em troca a não ser a doce inocência de amar girassóis e de querer através da tua pele, toque e intensidade...criar poesias...


Deixa-me voar rente ao chão, depois traga-me de volta a imensidão dos meus sonhos!!! Segunda-feira hora de recomeçar...novo trabalho, nova vista de Porto Alegre, novas e sempre intensas maneiras de amar e de entregar-se a exaustão!!!

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