Monday, May 16, 2011

Uma tarde...uma forasteira pela estrada...



Cinco homens bebem cerveja no balcão do bar da rodoviária. 14hs, meu ônibus sai às 15hs. Todos me olham, direcionam seus olhares aos meus ares sentada em uma mesa solitária em um dos cantos do lugar. A música que invadia o espaço me inspira a cantar em voz alta. Comigo Fernando Pessoa e Woody Allen.

Os cinco homens tem mais de 50 anos, por certo. Não conversam entre si. Me olham. Me sinto nua. Talvez eles me desejam ver assim. Me sinto forasteira e essa é uma sensação de plena 'liberdade'. Eles não sabem para onde vou, quanto menos sabem de onde venho. Sabem que canto em voz quase alta, meu esmalte é da cor da minha manta, meus cabelos são loiros retocados pelo calor do sol que entra pela janela e meu olhar é deveras perverso.

Eles não me atraem sexualmente, mas 'copularia' com todos, como 'copulam' os animais, tal a efervescência das minhas entranhas. Sou forasteira sob o céu azul da tarde esquizofrênica de quase inverno. Canto e sinto vontade de vomitar palavras na minha agenda. Naquele canto me encontro com Alberto Caeiro, faço amor com ele em cima daquela mesa. MInha excitação aumenta e minha mente fervilha. Me sinto 'molhada'. E não tenho medo de estar assim, tenho medo mesmo de um dia não me sentir mais forasteira. Tenho medo de não ter mais seus olhares estranhos e sedentos voltados para mim.

Mas entre um gole e outro sou degustada em seus desejos. Entre um gole e outro eu gosto mesmo é de estar na estrada. E é só a 'solidão' da estrada que me preenche de tal forma e intensidade que nenhum deles ainda conseguiu....E enfim, apenas prelúdios de um olhar sedento por fotografar a paisagem, de materializar o que Fernando pessoa escreve: "Todo estado de alma, é uma paisagem'.

1 comentários:

Um brasileiro said...

ola. tudo blz? estive por aqui dando uma olhada. muito legal. gostei. apareça por la. abraços.