Wednesday, May 25, 2011


O viajante caótico mais uma vez...


Tirei da estante ao final do dia o livro de 'Alberto Manguel'. Não o conhecia, aliás, não tinha dele qualquer referência, afinal nem estava diante da minha estante de livros (encaixotada ainda por Santa Maria). E para minha grata supresa a primeira frase do livro é: "Sou um viajante inquisitivo e caótico. Gosto de descobrir lugares ao acaso, por meio que qualquer imagem que esses locais tenham a oferecer". A partir dessa frase não precisava ler mais nada, já tinha encontrado a referência para a busca de sentidos do meu dia. E minha intensa inquietação. Inquietação, por sinal dos últimos dias, inquietação de sempre!!


Mas, hoje foi um dia de luz fria e temperatura quente, um misto de chuva e não chuva. Quando as nuvens estão num ritmo muito mais acelerado. Ele, inclusive me lembrou disso quando estávamos andando pelas ruas de Porto Alegre. As nuvens andam mais ligeiro por aqui, isso é um dado agora consumado por mim. Nesses dias quente, lembro-me dos dias de vento norte por Santa Maria e de minhas tenras saudades. De quê? Não sei. De pessoas talvez, de lugares por certo, mas mais do que tudo sinto saudade de sensações e da temperatura, gosto, do cheiro dessas sensações. Passei o dia com minha pernas trêmulas, com meu pensamento caótico, com meu olhar conturbado, não conseguia entender a insistência da desordem em mim. Não estava em TPM, nem com sérios problemas existenciais (ou será que sim?). Então foi no começo da noite que me dei conta do vento quente. Coloco o casaco, logo o tiro e minhas pernas se balançam ainda mais freneticamente embaixo da mesa. O vento norte de Santa Maria teria chegado a Porto Alegre? Logo liguei para amigos a fim de me certificar. Sim, hoje foi dia de vento norte e meu corpo estava com aquelas antigas sensações.



Pensei na loucura de tudo isso, também hoje no início da manhã quando voltava de viagem de Bento Gonçalves, aliás, uma viagem muito breve. Em menos de doze horas fui e voltei pelo vital prazer de durmir com minha mãe que passeava pela região, para jantar com a família, os tios, os primos e tomar aquele café da manhã colonial. E acordar com a mãe fazendo cafuné, passando a mão no meu cabelo vagarosamente para me acordar, como quem diz: filha to sempre contigo. Eu em posição de bebê, quase de feto encolhida na cama embaixo das cobertas quentinhas, senti vontade de chorar ao perceber que aos 26 anos, às vezes, o que a gente só precisa é de uma mão de mãe sobre nossas cabeças.

As duas horas de viagem até Porto Alegre, se transformaram em quatro. Mais um acidente no trânsito atrasa minha viagem, a segunda com acidente em menos de um mês. Me senti um pouco culpada e tentarei não ir mais para a BR de ônibus nos próximos dias. OLhando para o sol que se estendia pela manhã, pensava em tantas sensações que são possíveis ao se permitir ser um viajante inquisitivo e caótico. É permitir-se literalmente sobre cada uma das paisagens que percorrem o olhar. Lá fora o dia amanhece quente, o sol do outono, em tons mais claros...Gosto de o sentir assim, ele corre por detrás as árvores e o deixo tocar minha pele. O queria assim, mesmo que queimasse a jovialidade da minha pele. O queria sentir sobre os poros, por que é só nessas vivências neste abrir os poros e os sentimentos que se sente de fato: as nuvens, o sol, o vento norte que de Santa Maria sopra no meu dia!!! Impregnada de saudade e de poesia!!!

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