La muerte!!

Minha ligação com a literatura sempre foi muito intensa. Existem algumas cenas que li em livros que nunca mais apaguei da minha memória, quanto menos apaguei as sensações despertadas em meu corpo: O frescor de Clarissa num balanço no pátio no meio da tarde. O cheiro de Pedro Terra. A leveza da morte que se apaixona pelo violinista. Aliás, o livro as Intermitências da Morte de José Saramago, talvez tenha sido um dos livros mais intensos a qual me apeguei. A vontade de lê-lo sempre se repete, hoje então foi um desses dias que gostaria de estar perto dele, depois que fui entrevistada pela colega Paola para um documentário. Mas, infelizmente este livro ainda está encaixotado por Santa Maria, o que me dá uma grande saudade dos meus livros de cabeceira. Neste livro a beleza e leveza de uma paixão é que comovem e apontam o quanto ela é vital para nossa vida, a ponto de fazer com que a própria morte desista de sua trajetória. Afinal, é ao abrir aquele envelope que o violinista deixaria de tocar as bonitas canções na beira da cama todas as noites.
Mas é na paixão que a morte tem seu peso e também sua leveza. E sob esta perspectiva que girou alguns dos meus pensamentos e sensações no dia de hoje. Dificilmente paro para pensar na morte. Talvez estejamos o tempo todo fugindo de sua materialidade, mas talvez estejamos o tempo todo buscando suas metáforas. Afinal, morte mais do que abandono e falta, é passagem: leve em sua beleza, tenra em seu recomeço. E como pensar a morte na arte? No meu caso, a morte na fotografia...Se a fotografia, ou qualquer narrativa é um recorte de tempo e espaço, a morte estaria ali naquele recorte, na subjetividade de cada olhar. Seria, então, a morte circunstancial na arte? Não sei. talvez a morte seja a grande metáfora da ave fênix...O morrer para ressurgir das cinzas, então imagina quanta coisa pode se pensar por detrás deste pensar...
E a morte tem isso de paradoxo: peso ou leveza? O começo ou o fim? Nas minhas fotos e no meu olhar é um pouco de tudo isso e muito mais!! Uma breve reflexão!! Boa noite!!
A morte é desapego, não. Mas amor também é desapego, afinal quando se ama se quer deixar livre, quando se tem medo se é possessivo. Enfim, aprendendo a lidar com todos estes sentimentos, inclusive na minha 'arte'...
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