Sunday, April 17, 2011

Por onde ando? (atualizando...)


Chove em Porto Alegre. Uma chuva gostosa que acabo de sentir em meu corpo antes de deixar a rua. Sai para caminhar, o clima quente da capital passou logo diante dos caminhos com árvores que escolhi para andar. Eu gosto daqui, me sinto em casa. Olho para os lados e me reconheço, sinto as cores, os cheiros, os contrastes. Sinto que sou e serei feliz aqui.


Gosto da itinerância. Preciso dela, me faz sentir mais verdadeira. Gosto de sentir o cheiro, o tons, os sabores dos outros lugares. Também gosto de encontrar o olhar de outras gentes. Mas a itinerância, às vezes me cansa. Me dá vontade de ter um canto no mundo. Aquele lugar por mais modesto e simples que seja, mas que se pode chamar de casa. Por vezes penso que há muitos anos não tenho mais casa, desde que sai da casa dos meus pais. Mas, depois deixo de ser tão injusta e aceito o fato de que já tive várias outras "famílias" nestes anos.


Gosto das palavras de Hesse “a solidão é o modo que o destino encontra para levar o homem para si mesmo”. Não sei se me sinto sozinha, acho que em transformação. Talvez vire borboleta, talvez outra vez lagarta. Não tem como não tranformar-se sempre: quando se está itinerando, quando se está com um "lugar" no mundo. É incrível isso, pode parecer um monte de bobagem, mas há mais de um mês terminei uma dissertação de mestrado em que entrava a fundo nos conceitos de não-lugar e lugar antropológico. Partia da vivência e das referências das pessoas que viviam na fronteira para entender estes pertinentes termos um dia pensados por Marc Augé.


Mas, acho que esqueci de entender, sentir os não-lugares e lugares antropológicos da minha vida. Tenho fotografado pouco, já tive fases assim. Já está bem menos pesado andar sem a máquina fotográfica. Tenho fotografado mais filmando, o que me alegra demais, pensar que meu "olhar" começa a se encher de vida nesse sentido. Tenho escrito e pensado muitos projetos de documentário, filme. É, acho que pensado mais, no entanto, escrito sim algumas coisas. Começo a me permitir mais, talvez por perceber que eu tenho que acreditar muito mais em mim, me baseando no que os outros tanto acreditam. Mas, tenho feito um grande exercício de humildade. Porém, entendo que às vezes quando não parece humilde é apenas defesa diante das possíveis agruras da vida.


Gosto quando me despertam para um olhar mais sensível sobre o mundo. Gosto quando mexem com minha sanidade e provocam também a manifestação da minha insanidade. Gosto de estar diante do mundo a pessoa mais segura, confiante e alto-astral. Gosto também, quando permito mostrar a poucas e especiais pessoas que tenho tantas fragilidades. E que, às vezes, gosto apenas de um vinho, queijo e um filme...Tenho valorizado demais minha solidão, minha dolorida transformação. E como dói parar, ter um canto no mundo e sentir as necessidades que se há para viver com o mínimo de paz. No entanto, não me sinto sozinha, a plenitude dos meus planos e do meu olhar me enchem de vivacidade por todos os lados, a ponto de todos me dizerem: você vai longe. Disso nunca tive dúvida, minha dúvida está em pensar quando vou conseguir aquietar meu coração!!...


Ou vocês acham que para pessoas paradoxais como eu é fácil sobreviver a tanta inquietude. Me sinto impotente quando não há desejo...me sinto impotente quando não há brilho no olhar. E talvez por isso tenha fotografado pouco, pelo medo de perder meu brilho. Então, volto a escrever e aí percebo que há tantos olhares possíveis ainda.


Gosto dessa fase de transformação...Gosto do recomeço e Porto Alegre eu to chegando para fazer muita coisa brilhar...Cheia de vazios e de plenitudes!!! Mas, o fato é: vai ser lindo, mas vai doer demais!! Vamos lá que sem dor não há transformação e também não há verdades. Mas, sem dor também há verdades. Viram, eu disse é muito paradoxo: os não-lugares e os lugares antropológicos, afinal, não são polaridades fugidias, são apenas complementares. Vou sempre amar demais em todas as complemetaridades!!

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