E estou feliz por que este ano foi a primeira vez que consegui juntar uma graninha sem ficar medindo o que podia e não podia e comprei presente para todo mundo, até para a catrefa de primos que acampam lá por casa no final de ano. Aliás, vai ser lindo, povaréu todo junto reunido. Fila para o banho, briga pelas melhores camas, duas mesas gigantes na cozinha, conversaiada, acampamento na beira do Rio, as tradicionais partidas de futebol, vôlei, todos os esportes possíveis, a roda de melancia na metade da tarde. E mais brigas para lavar a louça, secar a louça, para limpar a casa e assim vai. Crescemos, crescemos, estamos todos com mais de 20 mas tenho a impressão que ainda somos os 8 primos da infância que acreditavam em papai noel e no monstro do milharal (histórias que já narrei por aqui, mas um dia repito, por que modéstia parte gosto das minhas histórias, hehe). Bueno, como ia contando por mais modesto que seja, comprei um presente para cada um, para os casais lógico em conjunto que sempre fica mais em conta. Não que dar presente na nossa família tenha grandes significados, aliás, nunca nos damos, só agora que aos poucos os filhos vão conseguindo ter alguma indenpendência financeira, antes era tudo na mágica sensação de ver o natal e o papel-noel sem grandes materialidades, mas sempre com muito magia, e crenças no visível-invisível que deram sentido para toda nossa vida.
E não podia ser diferente. Sou filha de um tocador de violão, que escrevia cartas de amor a minha mãe e de uma cantora, militante social, que sonha em ter uma plantação de rosas e que escreve poesia e rimas como ninguém. Ou seja, como poderia ter saído diferente, muito normal que eu tenha um olhar poético e muitas vezes carregado de doces ilusões sobre o mundo. Chega o natal e gosto de lembrar do quanto para nós era intenso se preparar para tal data, esperar o papai-noel, por mais que sabíamos que ele não ia trazer a boneca ou carrinho dos sonhos. Ele trazia, na maioria das vezes uma pequena caixa de bombom. E aqueles chocolates tinham o melhor sabor do mundo. Ele batia a porta, e nós escondidos debaixo das cobertas jamais nos atreveríamos a sair dos quartos, mas sabíamos que no outro dia no "pinheirinho de natal" (feito de árvore viva, de musgos do riacho e de enfeites de papel de balas) lá estaria qualquer lembrança que fosse. Um dia, no entanto, descobrimos que o papai noel era nosso pai - tocador de violão - e que as roupas vermelhas e a barba branca ele tinha guardado no roupeiro. Quem sabe essa descoberta tenha desmontado com a pretensa vontade das crianças de ir ao Pólo norte e ver a neve, mas nunca com a magia daquele natal cheio de sentidos.
No ano-novo, ainda hoje minha avó separa as guloseimas do natal para os meninos que vão bater a sua porta. Não sei se por aqui, por ali se é assim, mas no interior é costume que todos que os meninos até 10 anos saiam pelas estradas acordando na manhã do dia primeiro a vizinhança, desejando feliz ano-novo à todos. Em troca ganham balas, chocolates e ainda um dinheirinho. As meninas ficam insatisfeitas pelo desprivilégioo, mas o ritual é muito claro, somente meninos podem fazer isso. No entanto, nós crescemos, eles cresceram. Outros vieram e já partiram e a cada ano sobra mais dos doces e dinheirinho da minha avó. Os meninos diminuíram, mas a crença no ritual não, quanto menos a magia das boas vibrações para o próximo ano trazida pelos meninos...
Bueno, Feliz Natal à todos um 2011 com muita luz, assim tão simples, tão verdadeiro. E não precisa mais que isso. Aliás, pais dêem menos presentes a seus filhos e dêem mais tempo para eles acreditarem em papai-noel, ouvirem os passos no assoalho de madrugada. Eu só sei contar, narrar, inventar histórias por que tinha uma única boneca, e aí existiam lacunas enormes nas histórias que tinha que preencher com grandes personagens que criava e que iriam com ela ("a boneca") para as aventuras do mundo. Menos presentes e menos enlatados deixem as crianças dar valor a um brinquedo dado de coração e as sabor das coisas, de tantas coisas neste mundo...Conselho?? Não sei, apenas minha apreensão ao ver os pacotes circulando mais que a magia...






