Thursday, December 23, 2010

No natal e em 2011 menos presentes e mais lacunas para se criar boas histórias...

Gente, que correria para conseguir encontrar o bom velhinho em Charrua com meus pais. Tudo bem que já não sinto mais aquela mágica sensação de ouví-lo batendo na porta durante a noite, mesmo assim, não participar do ritual natalino ao lado deles parece que deixa em mim uma lacuna existencial sem medida. Por isso, sem medo e sem peso na consciência por ainda não ter terminado a dissertação vamos a Charrua, por que vale a pena. Ainda mais que dos 4 irmãos eu serei a única a estar em casa...(a única solteira, bueno, alguém tem que honrar a condição, rsrs). E por estar sozinha, num pensamento muito egoísta, entendo que terei pai e mãe todinhos para mim. E em família grande como a nossa isso não é sempre...aliás é raro.

E estou feliz por que este ano foi a primeira vez que consegui juntar uma graninha sem ficar medindo o que podia e não podia e comprei presente para todo mundo, até para a catrefa de primos que acampam lá por casa no final de ano. Aliás, vai ser lindo, povaréu todo junto reunido. Fila para o banho, briga pelas melhores camas, duas mesas gigantes na cozinha, conversaiada, acampamento na beira do Rio, as tradicionais partidas de futebol, vôlei, todos os esportes possíveis, a roda de melancia na metade da tarde. E mais brigas para lavar a louça, secar a louça, para limpar a casa e assim vai. Crescemos, crescemos, estamos todos com mais de 20 mas tenho a impressão que ainda somos os 8 primos da infância que acreditavam em papai noel e no monstro do milharal (histórias que já narrei por aqui, mas um dia repito, por que modéstia parte gosto das minhas histórias, hehe). Bueno, como ia contando por mais modesto que seja, comprei um presente para cada um, para os casais lógico em conjunto que sempre fica mais em conta. Não que dar presente na nossa família tenha grandes significados, aliás, nunca nos damos, só agora que aos poucos os filhos vão conseguindo ter alguma indenpendência financeira, antes era tudo na mágica sensação de ver o natal e o papel-noel sem grandes materialidades, mas sempre com muito magia, e crenças no visível-invisível que deram sentido para toda nossa vida.



E não podia ser diferente. Sou filha de um tocador de violão, que escrevia cartas de amor a minha mãe e de uma cantora, militante social, que sonha em ter uma plantação de rosas e que escreve poesia e rimas como ninguém. Ou seja, como poderia ter saído diferente, muito normal que eu tenha um olhar poético e muitas vezes carregado de doces ilusões sobre o mundo. Chega o natal e gosto de lembrar do quanto para nós era intenso se preparar para tal data, esperar o papai-noel, por mais que sabíamos que ele não ia trazer a boneca ou carrinho dos sonhos. Ele trazia, na maioria das vezes uma pequena caixa de bombom. E aqueles chocolates tinham o melhor sabor do mundo. Ele batia a porta, e nós escondidos debaixo das cobertas jamais nos atreveríamos a sair dos quartos, mas sabíamos que no outro dia no "pinheirinho de natal" (feito de árvore viva, de musgos do riacho e de enfeites de papel de balas) lá estaria qualquer lembrança que fosse. Um dia, no entanto, descobrimos que o papai noel era nosso pai - tocador de violão - e que as roupas vermelhas e a barba branca ele tinha guardado no roupeiro. Quem sabe essa descoberta tenha desmontado com a pretensa vontade das crianças de ir ao Pólo norte e ver a neve, mas nunca com a magia daquele natal cheio de sentidos.


No ano-novo, ainda hoje minha avó separa as guloseimas do natal para os meninos que vão bater a sua porta. Não sei se por aqui, por ali se é assim, mas no interior é costume que todos que os meninos até 10 anos saiam pelas estradas acordando na manhã do dia primeiro a vizinhança, desejando feliz ano-novo à todos. Em troca ganham balas, chocolates e ainda um dinheirinho. As meninas ficam insatisfeitas pelo desprivilégioo, mas o ritual é muito claro, somente meninos podem fazer isso. No entanto, nós crescemos, eles cresceram. Outros vieram e já partiram e a cada ano sobra mais dos doces e dinheirinho da minha avó. Os meninos diminuíram, mas a crença no ritual não, quanto menos a magia das boas vibrações para o próximo ano trazida pelos meninos...

Bueno, Feliz Natal à todos um 2011 com muita luz, assim tão simples, tão verdadeiro. E não precisa mais que isso. Aliás, pais dêem menos presentes a seus filhos e dêem mais tempo para eles acreditarem em papai-noel, ouvirem os passos no assoalho de madrugada. Eu só sei contar, narrar, inventar histórias por que tinha uma única boneca, e aí existiam lacunas enormes nas histórias que tinha que preencher com grandes personagens que criava e que iriam com ela ("a boneca") para as aventuras do mundo. Menos presentes e menos enlatados deixem as crianças dar valor a um brinquedo dado de coração e as sabor das coisas, de tantas coisas neste mundo...Conselho?? Não sei, apenas minha apreensão ao ver os pacotes circulando mais que a magia...

Friday, December 17, 2010

Chuí - Chuy: Mais uma fronteira brasileira...


Como que a garota fronteira não conhece o Chuí - Chuy. Isso me soa muito mais que uma provocação, mas me deixa tensa, por que percebo que quanto mais ando viajando mais tenho noção e dimensão do quão pouco conheço. E aí viajar, encontrar o outro, compartilhar visões de mundo e redimensionar espaço e tempo acabam sendo atitudes viciantes, tanto que fica cada vez mais difícil ficar muitos dias em uma determinada rotina. Rotina? que é mesmo isso? Quem sabe a falta dela.


No entanto, depois dessa provocação somado ao ilustre convite do Trio Pitathiny para acompanhá-los na largada da turnê Chuí - Oiapoque - cá estoy yo...hoy cerrando minhas 9 fronteiras brasileiras que conheço!! Poucas? Sim...diante de tantas fronteiras territoriais, mas muitas diante de tantas "fronteiras simbólicas" para chegar até essas 9. E o Chuí - Chuy é do caralho, acho que mais do que o Chuí é a viagem...as estradas retas sem fim, a reserva do Taim que é um espetáculo ainda mais incrível num dia de sol como hoje... e festa que acabamos de chegar embaixo de uma lona de circo...




Bueno conto mais sobre tudo isso nas próximas postagens, agora é tarde, minha internet ta lenta, e depois de algumas Patrícias, o corpo pede um banho quente e uma cama. Ou vocês acham que viajar assim e não ter rotina não cansa...Putz, minha pele que o diga, o organismo véio todo revoltado...

Sunday, December 12, 2010

Tormento e complemento: um ensaio aos 103 anos de Oscar Niemeyer


Já falei sobre a paixão tantas vezes por aqui. Mas sempre vale a pena relembrar. Por que eu gosto mesmo das pessas que tem brilho no olhar quando falam, fazem e são motivados pelas escolhas da sua vida. Ou seja, me perdoem os que são descrentes, resignados, acostumados, mas eu não acredito em nada que não seja movido pela paixão, pelo tesão em estar, em ser, em fazer. Não acredito em nada que tenha um minímo de sentido para mim...para minha vida, que não mexa com minha sensibililade, que não seja tormento e complemento. E tenho ainda mais certeza disso depois de ver este texto (http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/oscar-niemeyer-chega-aos-103-anos-com-projetos-em-andamento-e-planos-para-o-futuro) com Oscar Niemeyer. Por que para chegar a essa idade, com tanta vitalidade, vigor e vontade, só com muita paixão, só com muito tesão pelo viver, o "estar" no mundo.

Conhecia as obras de Niemeyer somente pelos livros, pela televisão. Confesso que foi minha primeira vez em frente a uma de suas obras há duas semanas quando estive em Niterói, no Festival Araribóia Cine. Talvez tenha olhado de uma forma muito mais cuidadosa e apaixonada pela sua obra - o Museu de Arte Contemporêa - pela inspiração do amigo Juan Zapata que estava com a equipe do Fórum Entre Fronteras no Festival. Juan, se impressionava com o sentimento despertado por aquele lugar. Um sentimento, quem sabe inexplicável. Eu me deixei olhar e fotografar este lugar com um pouco desse sentimento, que certamente não devia ter a mesma dimensão nos nossos diferentes olhares.

Entre a luz, as sombras e os "vazios" daquele final de tarde: o MAC, Niterói e a incansável beleza de mais um dia tentei esboçar em traços de fotografias. E não tento fotografar mais do que minhas plenitudes, meus vazios: por isso um ensaio a Niemeyer e uma homenagem aos seus 103 anos.






Wednesday, December 01, 2010



Meu tempo/espaço a rasgar minha subversão....




Enquanto todos durmiam no ônibus para Porto Alegre eu acompanhava o dia amanhecer. Por volta das 6 horas da manhã...Resolvi fotografar para tentar dimensionar o espaço/tempo daquela viagem. Mas quando se viaja demais se perde um pouco a noção exata do espaço/tempo. Se é que existe exatidão nessas categorias. Existe quem sabe a possibilidade de subversão deste espaço/tempo. Mas ser subversivo demanda um autoconhecimento sobre nosso próprio olhar sobre o mundo. Por que quem sabe ser subversivo é reconhecer o que se gosta de fato, o que ser quer, mas aí as janelas da percepção estariam abertas. Quando não estão, dói demais, uma dor que não é nada existencial, é carnal mesmo, dói e corrói. Por isso as fotos são visões da janela, são pedaços de mundos, são borradas e cheias de traços descontínuos por que a visão está assim, e a alma se rasga...



Profundo, tudo isso, não? Nada demais, to tentando apenas dizer que quando se viaja demais, cabe fotografar as particularidades do mundo a partir de cada janela do veículo que nos desloca...E eu não sei resolver o mundo, a não ser por fotografia. Sabe que cada vez me dou mais conta disso. Mierda, mexeram comigo. Mexeram com o que estava quieto. Mexeram com minha subversão e agora não sei lidar com ela.




De volta para Santa Maria, enquanto a maioria das pessoas dormiam cliquei mais um pouco, para tentar dessa vez dimensionar o final do dia: então um novo espaço/tempo re-significados... e o vazio estava grande, quem sabe por que a alma ia se rasgando mais e mais!!! Difícil o autoconhecimento, mais triste viver à mercê e nunca se dar conta do que se é de fato. Gosto da dor e não me incomodo com meu olhar "borrado"...

Texto baseado na "digressão" desta postagem no http://www.tecladosenfarpados.blogspot.com/