Monday, November 15, 2010

Quem tem um lago não vive só...



Fotografei a árvore de flores roxas no jardim de casa. Dei mais meia dúzia de passos e tinha motivos para clicar a leveza branca que se ergue do gramado. Senti o cheiro das pitangas que povoam os arredores da estradinha que se distancia lá de casa. O sol devagarzito e manso vai se aconchegando por detrás dos prédios vizinhos da minha casa. Contiuo a caminhada sentindo a brancura quente do sol que se ia, e pó que levantava cada vez mais da estrada de chão que se some por detrás da minha casa. É já não sentia a mesma paz dos outros tempos. Era uma paz diferente - insatisfeira paz daqueles finais de tarde. Tinha pressa de chegar no "meu Lago" e me apropriar dele por algumas horas. Pensei que quem tem um lago não poderia nunca se sentir só no mundo. Fui deixando para traz a minha casa, os prédios das rurais e cheguei até a cerca de arame do meu lago. Um jovem sentado lia sob o bosque de pinheiros. Um casal brincava com seu cão...jogando o brinquedo para ele pegar na água do "meu lago". Uma família inteira jogava pedras no "meu lago" e tentavam descobrir tartarugas. Por alguns instantes me dava conta que aquilo tudo não era nada mais familiar. O meu sossegado lago talvez houvesse sido descoberto pela "civilização" que aos poucos começava a se aglomerar em seu entorno. Fiquei temerosa que essa situação fugisse do controle, que os "meus pássaros", as tartarugas da margem, dos pinheiros que cresciam nas beiradas, o reflexo do azul do céu, fossem tomados pelo peso atroz da presença deles.






Mas foi breve meu súbito medo, deixei de lado a narrativa literária baseada em "Cem anos de solidão" e pensei que seria um ato egoísta demais de minha parte não dividir ao menos um pouquinho daquele lago com quem aos poucos ia o desbravando. Me escondi nos recantos que antigamente era nosso lugar de fuga e esperei o sol aos poucos ir "morrendo por detrás daquelas águas calmas...De tenso só o barulho dos pássaros incomodados com o cachorro do casal. O cachorro teve que se atirar uma 20 vezes na água para pegar seu brinquedo (queria fazer isso com os donos, rsrsrsr). Aos poucos todos se foram, só o jovem que lia permanecia a beira do outro lado do lago, via seu reflexo que poucas vezes se mexia. Sabia que ele conhecia aquele lugar como eu e que estava esperando o momento do tom branco do sol, de tornar o avermelhado da nossa poesia.




Ficamos a sós um em cada canto do distante lago...a contemplar mais aquele final de tarde no "nosso lago"...Aqueles que já tiveram comigo aqui sabem do que estou falando...e gosto mesmo de jogar uma pedra e sentir a onda crescer, crescer, crescer...eu sei, eu sei, ando lendo muita literatura. Boa noite!! E me acompanhem amanhã a noite me vou para a fronteira e então postagens todos os dias.

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