Monday, August 16, 2010

Dá licença, meu lugar/não-lugar também é na rua, sim senhor...

Viajar sozinha e andar com uma máquina na mão, são duas coisas da qual perdi o medo há muito tempo. Aliás, acho que são os momentos na qual eu me sinto mais à vontade e com vontades. Óbvio que eu sinto aqueles momento de solidão, aquela tradicional imagem: sentada em uma mesa de bar, logo ali depois da fronteira - no Uruguai - bebendo uma/duas Patricia's de litro e pensando na vida. Menos mal que hoje tinha umas quatro mesas na mesma situação. No entanto, de mulher só eu. Mandei uma mensagem para a Susana, que lá em Montenegro, me dizia também estar sozinha, mas embaixo das cobertas tomando um suco. heheh, no fim a gente dá muita risada cada uma em seu canto. Se eu pudesse carregava alguns dos meus amigos o tempo todo comigo. Ok, mas nem era sobre isso que queria falar, mas sim da minha máquina fotográfica.
O velho papo do tal não-lugar. Agora me encarnei que eu preciso concretizar nas minhas fotos o não-lugar. Aquele lugar de passagem que na supermodernidade é efêmero. Reducionista, não? Claro, claro, isso depende a partir de quem estou olhando. E aqui na fronteira, especialmente em Livramento, tenho certeza que é o não-lugar para grande parte das pessoas carregadas de sacolas hoje de tarde. Então saio para a rua com meu tripé, minha máquina fotográfica, sem pressa, sem pressão. E é na rua o meu trabalho, por que quero "ler" essa fronteira urbana. E eu gosto do trabalho de rua, gosto de camêlo, de carro de pancho, de mesas de câmbio e sinceramente, apesar de achar importante todos os processos de revitalização do espaço urbano, não tem nada contra quem trabalha na rua, por que eu trabalho na rua. Preciso dela.

Bueno, no entanto, hoje tentaram me expulsar da rua, me dizendo que não podia estar fotografando ali. Ah, é, por quê? E vieram pra cima mesmo, nem um, nem dois, quatro no mínimo. Mas amigos, se tem uma coisa da qual eu não tenho medo mesmo é de andar com minha máquina na mão, eu já disse, por duas simples razões: por que meu trabalho é na rua e por que eu sei da responsabilidade que tenho ao estar com uma máquina na mão na rua. E por que cara de homem má, também não me assusta faz tempo. Esses são alguns dos estigmas que eu carrego como jornalista. Mas to ali no meu canto, tentando entender um não-lugar, mal sabem eles que minhas fotos estão todas borradas, riscadas, descontextualizadas...é um não-lugar que eu estou buscando, não o lugar de vocês que também é o meu lugar...

0 comentários: