Friday, July 30, 2010

GENTILEZA GERA GENTILEZA e eu gosto mesmo de pessoas autênticas...

Há 4 anos comprei meu mochilão na Colômbia. Nunca esqueço do valor irrisório de R$ 30 que paguei na época. Depois disso minha mochila foi a companheira de muitas indiadas. Atravessamos muitas fronteiras juntas; o Chile; a Argentina; algumas partes do Peru; atravessamos o Brasil; fizemos viagens curtas - logo ali do lado. Mas desde lá minhas viagens mudaram muito. No princípio viajei de ônibus, de carona de carro, de caminhão...E me apaixonei...sempre. A mochila durou muito levando em conta o preço que paguei por ela. No entanto, não foram poucas as vezes que ela se descosturou, então eu ia para Charrua e entrava o trabalho da minha mãe que na sua máquina de costura velha, no seu quarto bem bagunçado (o quarto do meu pai e da minha é o próprio caos, e não entendo pq ela me critica tanto, rsrs). Minha mãe costurava, descosturava, remendava e assim minha mochila aguentava mais uma, duas viagens.

Mas como disse minhas viagens mudaram muito. Agora já viajo de avião, em vôo comercial, por que esses vôos de milicos fiz alguns já na minha vida, rsrsrs (bons tempos aqueles). Viajo de avião e os equipamentos eletrônicos aumentaram: máquina fotográfica; notebook, fones de ouvido, minha 3g, enfins. Acabou a "solidão": minha mochila e eu. Então, me sugeriram que eu comprasse uma mala de rodinhas, afinal já sou mais madura, menos "mochileira"..rsrsr, como pude acreditar nisso?




Então, ontem comprei minha mala verde de rodinhas. E no mesmo dia, sem chance para qualquer adaptação, resolvi viajar. Primeira constatação: o mundo não está preparado para malas de rodinhas, eu não estou preparada. Passei em frente a construção no lado de casa, e os operários ao invés de me chamar de gostosa e afins, se deteram em dizer: eu carregava no colo. Só não entendi se era eu ou a mala. Mas, tenho certeza que meu desconforto e mal jeito eram muito visíveis. No ônibus (e tive que pegar dois ônibus até a rodoviária) óbvio que não consegui sozinha passar a roleta com a mala de rodinhas, menos mal que o cobrador era um daqueles super bem-humorados que além de ajudar, faz piadas sem graça. Já estava furiosa. Antes de ir para a rodoviária tinha que passar no centro para fazer depósitos em dois bancos diferentes. Como andar pelas calçadas cheias de desníveis com uma mala de rodinhas? Entrei no bar de uns amigos e pedi para deixar minha mala ali. "Mala" eu estava me sentindo.

Resumindo a história: Com a mala verde - linda - de rodinhas, perdi toda minha liberdade, minha autonomia de deslocamento, estou presa a essa coisa gigante que o mundo não está preparado para aceitar. Não o meu mundo ao menos: o de calçadas esburacadas, de dois ônibus até a rodoviária e de correria intensa antes de uma viagem. Quero meu mochilão de volta, ele sim faz parte da minha autenticidade.

Bom, antes de finalizar este texto preciso abrir um parênteses para outras percepções engraçadas das minhas viagens. Por que quando viajo sozinha minha cabeça vai a mil, não preciso nem dizer isso: os planos de dominação do mundo são muitos. E eu adoro assistir os filminhos que passam nos ônibus. Primeiro por que eles sempre geram polêmicas: o motorista colocou em inglês/inglês. óbvio que o povo caiu em cima do cara. Aí, ele colocou legendado, então uma senhora grita lá de traz: Mas agora as letras estão traduzindo o que eles estão dizendo...(rsrsrsrrs, sim e ela esperava o que). Então, o motorista muito solícito parou o ônibus e colocou tudo em português para meu desespero. Dublado e com legenda em português é de chorar, mas no fim das contas o filme era divertidinho e acreditem eu nunca tinha assistido: "Os esquenta banco". E olha que na minha infância eu era uma "esquenta banco", os motivos? Os mais diversos: eu era gordinha, não sabia jogar vôlei, era colona, enfim...Hehehehe.


Menos mal que eu gostava de ler Machado de Assis, escrever bons textos e queria sair dali para ter um lugar em campo...Depois aprendi jogar vôlei - muito bem por sinal - dei uma emagrecida, resolvendo os problemas com meu corpo - e tenho um puta orgulho de ter sido - ser - uma colona...

Hahahahha, apenas um momento Dejavú fraternal...Porém tenho que confessar hoje estou puta da cara, por que gosto de pessoas autênticas e sempre é tempo de se decepcionar com as pessoas..Odeio falta de consideração e eu peço sempre tão pouco...Por que eu não preciso de muito para dar sentido para minha vida...Mas logo mais, vou almoçar com amigos, dar uma pesseada pelos ares de POA e de noitinha um longo vôo até Belém do Pará...Acho até que já aprendi a lidar com essas coisas, não??? Tenho que diminuir a intensidade das minhas vivências e cuidar do meu capital erótico, rsrsrs.

Volto amanhã com novidades sobre a longa viagem até o Pará, com escala em Brasília.

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